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GOVERNO TRUMP CONTRATA EMPRESAS PARA COBRAR MULTAS DE IMIGRANTES DEPORTADOS

Giovani Paschoalino de Souza Oliveira | 07/10/2026 03:21 | INFORMES

Em setembro de 2026, o governo Trump contratou quatro empresas privadas para localizar imigrantes deportados que, segundo a própria administração trumpista, devem ao governo norte-americano centenas de milhões de dólares em multas não pagas. A Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) afirma estar buscando recuperar cerca de 423 milhões de dólares em multas e taxas de cerca de 70 mil imigrantes já deportados do país. Segundo o relatório da CBP, as empresas Global Recovery Group, The Baptiste Group, Caduceus Inc e Response AI Solutions foram contratadas para atuarem durante dois anos na busca por esses imigrantes, com cada um de seus contratos recebendo um valor máximo de até 9 milhões de dólares.


A aplicação destas penalidades se baseia, em parte, na lei de imigração de 1996 que concede ao governo norte-americano a imposição de multas aos indivíduos que se recusem a sair dos EUA após a ordem de partida. Esta medida foi raramente utilizada após sua criação, passando a receber maior aplicação após o primeiro governo Trump e, principalmente, em seu segundo governo. Desde o início de 2025, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) emitiu mais de 103.000 multas civis, totalizando mais de 84 bilhões de dólares, de acordo com dados do Departamento de Segurança Interna (DHS).


As quatro empresas foram contratadas pelo governo Trump para atuarem em três países: México, Honduras e Guatemala. Nestes locais, os prestadores de serviços contratados realizam a confirmação de residência do indivíduo procurado e solicitam uma fotografia facial como comprovante de que a notificação da multa foi entregue. Para realizar tal tarefa, os contratados receberam permissão para fotografar residências ou obter contas de serviços públicos, registros de emprego ou documentos judiciais para localizar deportados e comprovar sua capacidade depagamento. Apesar da contratação recente para a procura internacional dos chamados inadimplentes nestes três países, as quatro empresas já realizaram ou realizam atualmente outras prestações de serviços para o governo federal referente às políticas de imigração. A Global Recovery Group e a Response AI Solutions já localizaram pessoas para o governo federal, identificando alvos de interesse para operações de deportação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), enquanto a Caduceus, o Baptiste Group e novamente a Response AI Solutions já realizaram o serviço que o governo identifica como a “verificação de segurança e bem-estar” de crianças migrantes que chegam desacompanhadas nas fronteiras dos EUA.


Segundo reportagem da Bloomberg, alguns deportados no México estão recebendo notificações de cobranças no exterior. Como informa Juan Cuellar Torres, diretor de defesa da Kino Border Initiative, citado na notícia, cidadãos mexicanos deportados este ano já estariam recebendo cartas de cobrança em seus novos endereços. Os avisos supostamente alertavam que os juros poderiam ser cobrados e que dívidas não pagas poderiam ser consideradas em futuros processos de imigração nos EUA. Para os deportados que posteriormente solicitarem um visto americano ou permissão para retornar, as dívidas pendentes poderiam, portanto, se tornar mais um obstáculo à imigração.


Dessa forma, a agenda de políticas de imigração do segundo governo Trump, além de reforçar seus aspectos securitários, passa a buscar sua sustentação institucional por meio de empresas contratadas com atuação totalmente fora do território norte-americano. Isso levanta o debate: até que ponto o governo dos EUA, por meio de seus agentes transnacionais, pode agir de modo a desafiar a soberania de outros Estados?  

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