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TRUMP E SALAZAR: OS LIMITES DA AGENDA ANTI-IMIGRATÓRIA REPUBLICANA

Julia Aguiar Camacho | 17/10/2026 19:25 | INFORMES
IMG Office of Congresswoman Maria Elvira Salazar / MICHAELVADON@MICHAELVADON.COMM

No final do mês de setembro uma divergência dentro do Partido Republicano dos Estados Unidos ganhou destaque, ao passo que Maria Elvira Salazar, deputada federal republicana do estado da Flórida, teceu críticas às políticas migratórias extremas do atual governo, o qual não permaneceu silencioso. O episódio ocorreu às vésperas das eleições de meio de mandato (midterms), marcadas para novembro, e expõe uma tensão entre setores republicanos sobre os limites das medidas de controle migratório e a relação do partido com o eleitorado latino, especialmente no sul da Flórida.


Filha de imigrantes e exilados cubanos, Salazar representa o 27º distrito congressional da Flórida, uma região de forte presença latina e disputa um novo mandato na Câmara dos Representantes. Durante um vídeo de sua campanha, declarou que as ações de controle migratório adotadas por Trump “foram longe demais”. Para ela, mesmo tendo sido amplamente apoiada pelo presidente em sua última candidatura, a administração deveria rever a forma como o ICE está sendo conduzido, à medida que muitos imigrantes presos não tinham precedentes criminais.


A represália também se deu pela queda de popularidade de Washington no olhar da população latina, grupo que teve uma ampliação importante da participação de indivíduos na vitória do atual governo. Nesse cenário, os apoiadores do partido republicano se encontraram divididos entre concordar com a deputada ou acusá-la de traição. Trump, apesar de não ter se pronunciado concretamente, deu a entender seu desapontamento através de sua rede social própria, a “Truth”, por meio do compartilhamento de comentários de seus seguidores. Entre as mensagens estavam acusações de que a deputada defenderia “anistia” para imigrantes que entraram ilegalmente no país e, em uma das publicações, um pedido explícito para que ela fosse substituída por outro republicano. Segundo a CNN Trump compartilhou pelo menos 14 mensagens críticas à deputada em rápida sucessão.


Salazar finalmente reagiu ao acontecimento e afirmou ter conversado com o presidente, dando a entender que a situação foi solucionada. O episódio, portanto, não representa necessariamente uma ruptura entre Salazar e o partido Republicano, mas revela diferentes posições dentro da agenda sobre segurança de fronteira, fiscalização migratória e integração dos imigrantes que já vivem nos Estados Unidos.


Às vésperas das eleições de meio de mandato, a controvérsia coloca a imigração novamente no centro do debate político em distritos com grande presença latina. Ao mesmo tempo que a reação de Trump demonstra que as divergências sobre o tema, a deputada procura estabelecer uma distinção entre as políticas migratórias mais rigorosas, além de dialogar diretamente com o eleitorado no sul da Flórida, onde a questão migratória possui forte dimensão política e social, para ampliar seu eleitorado.

 

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