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O CUSTO DO PERTENCIMENTO: AS COTAS, A BUROCRACIA E O LONGO CAMINHO ATÉ A CIDADANIA AMERICANA

Beatriz Machado Nuñez | 16/08/2026 11:34 | INFORMES

O processo para obter a cidadania americana pode acontecer de duas formas: você nasce com a cidadania ou enfrenta o processo legal para se tornar cidadão. O segundo cenário é o mais comum e começa quando o imigrante solicita o reconhecimento de sua residência legal nos Estados Unidos, o conhecido Green Card. Entretanto, o Green Card só é aplicável caso o solicitante esteja dentro dos requisitos, como por meio de oportunidade de emprego em uma empresa sediada nos Estados Unidos ou submetendo às autoridades um comprovante de capacidade de se estabelecer e permanecer no país sem assistência do governo.


Para conseguir residência permanente, o Green Card, é necessário primeiro ser aprovado para qualquer tipo de visto imigrante que seja válido no processo futuro do Green Card. Na prática do mercado de trabalho, essa jornada costuma começar com um visto temporário de não-imigrante (como o de trabalho H-1B ou de estudante F-1), a partir do qual a empresa solicita o ajuste de status. Os vistos imigrantes para cônjuges, filhos, e pais de cidadãos americanos estão sempre disponíveis, enquanto outros vistos têm limite de expedição. Quando a demanda supera a oferta, os solicitantes ficam em uma fila de espera até a disponibilidade dos vistos. A espera aumenta para indianos, chineses, mexicanos e filipinos, países considerados de alta demanda nos registros e podem levar décadas até conseguirem o visto. Esse represamento específico ocorre porque a legislação dos Estados Unidos estabelece um teto anual fixo de no máximo 7% do total de vistos imigrantes para qualquer país individualmente, impedindo que nações muito povoadas recebam a totalidade das vagas. A demora para adquirir o Green Card tem então duas explicações: a demora burocrática do processo de revisão e aprovação da documentação e a demora para que um visto limitado seja disponibilizado, com poucos vistos sendo liberados a cada ano.


Diante desse cenário, é possível dizer que o tempo para "pertencer", ou seja, para se tornar cidadão americano, não tem uma resposta única. Depende, antes de tudo, do caminho percorrido: quem tem um vínculo familiar direto com um cidadão ou residente legal, como cônjuges, pais ou filhos, tende a enfrentar um processo mais rápido, já que esses vistos estão sempre disponíveis e não dependem de cotas anuais. Já quem depende de vistos com cotas limitadas, como é o caso de muitos imigrantes vindos da Índia, China, México e Filipinas, pode esperar décadas até que uma vaga seja liberada, independentemente de estar com toda a documentação em dia ou de já ter sido aprovado em uma etapa anterior do processo. Ou seja, a demora não está apenas na burocracia de análise dos documentos, mas principalmente na disponibilidade limitada de vistos frente à alta demanda de certos países. São, na verdade, dois obstáculos distintos que se somam: de um lado, o tempo natural de revisão e aprovação da papelada exigida pelas autoridades; de outro, o tempo de espera até que um visto limitado, do tipo que não é liberado automaticamente a todos os solicitantes, se torne disponível.


Por isso, embora o parentesco tenha sido, em 2023, o caminho mais utilizado, responsável por 65% dos Green Cards concedidos, mesmo essa rota “mais comum” pode variar bastante em duração, dependendo do grau de parentesco e do país de origem do solicitante. Cônjuges, pais e filhos de cidadãos americanos costumam percorrer esse trajeto com mais agilidade, enquanto outros graus de parentesco ou nacionalidades de alta demanda enfrentam filas de espera que podem se estender por anos ou até décadas. Cabe ressaltar que a conquista do Green Card concede a residência permanente, mas ainda não equivale à cidadania formal. Para concluir a naturalização, o imigrante precisa manter o Green Card por um período contínuo de 5 anos (ou 3 anos, se casado com um cidadão americano) e ser aprovado nos exames de inglês e conhecimentos cívicos do serviço de imigração. No fim, “pertencer” aos Estados Unidos como cidadão é menos uma questão de mérito individual e mais uma questão de encaixe: em qual categoria de visto a pessoa se enquadra e de qual país ela vem.  

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