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O AUMENTO DO FINANCIAMENTO MONETÁRIO E MATERIAL DO ICE NO SEGUNDO GOVERNO TRUMP

Giovani Paschoalino de Souza Oliveira | 25/04/2026 14:07 | INFORMES
IMG U.S. Immigration and Customs Enforcement

No início de 2026, documentos publicados pelos veículos jornalísticos FWD.us e União pelas Liberdades Civis (ACLU) revelaram dados que demonstram que o segundo Governo Trump enviou mais de US$ 200 milhões em financiamento ao Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Esse financiamento tem expandido rapidamente os acordos do Modelo de Força-Tarefa 287(g) entre o ICE e as polícias locais. Um registro financeiro vazado em março pelo jornalista Ken Klippenstein revelou que o ICE continua enviando dinheiro para agências em todo o país, incluindo, em alguns casos, pagamentos maiores do que os prometidos em documentos públicos. Esse registro mostrou que US$ 257 milhões já foram pagos ou prometidos a 282 agências de segurança locais em todos os EUA. Os estados da Flórida e do Texas são os que concentram o maior número de agências locais recebendo esses recursos, com 71 e 54 agências citadas no registro, respectivamente.


Em estimativas feitas pelo FWD.us, tomando como base o número de agências inscritas no programa de financiamento prometido pelo ICE, estipulou-se que o financiamento total poderia chegar a US$ 1,4 bilhão. Com esses pagamentos de incentivo maiores e a inscrição de muito mais agências, o total poderia ser ainda maior durante a gestão Trump.


Como consequência dos financiamentos realizados pelo Governo Trump, o número de acordos do Modelo de Força-Tarefa 287(g) aumentou de 135 em janeiro de 2025, no primeiro mês do segundo mandato de Trump, para 1372 acordos em janeiro de 2026, representando um aumento de 916% dentro de um período de um ano.


O Modelo de Força-Tarefa 287(g) foi estabelecido em 1996 após o Congresso Americano ceder a autorização ao Procurador Geral dos EUA em firmar acordos diretos com agências de segurança locais e estaduais, delegando diligências relacionadas a fiscalização imigratória, antes restritas ao ICE, para essas agências, de acordo com a seção 287(g) da Lei de Imigração e Nacionalidade. Entre as formas de atuação do Modelo de Força-Tarefa 287(g), o ICE destaca três formas de atuação de agências locais relacionadas à fiscalização migratória: (1) “Modelo de Fiscalização Prisional”, que permite que agentes identifiquem estrangeiros passíveis de deportação que estejam atualmente sob custódia em sua cadeia ou centro de detenção e que possuam acusações criminais pendentes ou em andamento; (2) “Modelo de Força-Tarefa”, que permite que policiais exerçam autoridade limitada dentre questões imigratórias enquanto desempenham funções policiais de rotina; (3) “Programa de Oficiais de Cumprimento de Mandados”, que fornece treinamento, certificado e autorização do ICE para a execução de mandados administrativos contra estrangeiros em determinada agência local.


Por meio dessa operação, atualmente 77 milhões de pessoas nos EUA e aproximadamente 32% da população, vivem em locais com agências de segurança que aderiram ao Modelo de Força-Tarefa 287(g). Desta forma, no segundo mandato de Trump, o Modelo de Força-Tarefa 287(g) vem sendo expandido e utilizado como força de fiscalização em massa, com o objetivo de aumentar o número de deportações realizadas pelas agências de segurança, além de aumentar o incentivo a autodeportação. Em depoimento publicado pela ACLU, locais relataram que na Flórida a polícia local interceptou uma paciente de câncer de 22 anos e auxiliou a Patrulha da Fronteira na prisão de seu pai, de nacionalidade mexicana, que a estava levando para casa do hospital.


Em suma, ao aglutinar a agenda de segurança local com demandas do ICE, o Governo Trump sobrepôs demandas locais, estaduais e federais, concentrando muitas vezes recursos de outras áreas de securitização para questões relacionadas à fiscalização migratória, criando cenários propícios para violações dos direitos civis.

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